Páginas

Mostrando postagens com marcador desenvolvimento pessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desenvolvimento pessoal. Mostrar todas as postagens

10 de fevereiro de 2015

24 dias de meditação


Você já imaginou como seria ver a sua vida por uma tela? Imagine ver cada instante do seu dia de hoje, minuto a minuto. Seria uma experiência excruciante, principalmente para os mais ansiosos. Há um par de anos atrás, eu coloquei minha webcam para tirar uma foto por minuto. Ver o seu rosto olhando debilmente para a tela de um computador é uma visão não muito agradável. Mas a cada minuto eu estava totalmente inconsciente da minha situação, totalmente concentrado em seja lá o que eu estivesse vendo. Em qualquer outro lugar, menos ali. Observar você mesmo em terceira pessoa tem um poder transformativo.

Vá para o centro da cidade e observe o rosto das pessoas. A maioria está presente só em corpo. Seus olhos mirados para frente mas suas mentes já onde vão chegar, ou talvez para aonde vão várias horas depois. Pouco pensamento vai em cada ação a se tomar, o que fazer a seguir. Grande parte do nosso dia se passa dessa maneira, fazemos as coisas no automático.

Passamos um terço da nossa vida dormindo, o que é uma necessidade do corpo. Mas e nos outros dois terços? estamos realmente acordados? quantas vezes você já deixou as chaves de casa em um lugar aleatório e depois não lembrava onde as tinha posto? é isso que acontece quando se vive dormindo.

Há 24 dias eu tenho meditado uma vez por dia. Para quem nunca tentou, ficar sentado, sem pensar em nada, dez ou vinte minutos é muito mais difícil do que parece. Nosso cérebro tenta ao máximo fazer tudo por hábito. Se você dirige, pense na primeira vez que dirigiu. Cada passo era feito conscientemente, exigindo alta concentração para fazer as coisas mais simples como mudar de marcha ou checar o retrovisor. Aos poucos essas pequenas ações foram sendo incorporadas à sua "caixa de ferramentas" e você começava a fazê-las sem nem mesmo pensar. Hábitos se incorporam as atividades automáticas do dia-a-dia. Chegar em casa e ligar a televisão por exemplo. Ou abrir o e-mail quando outras atividades exigem sua atenção.

Com o tempo, os hábitos se tornam parte de nós. Aos poucos é difícil nos dissociarmos do que fazemos todos os dias. O homem que acorda cedo todo dia e lê o jornal acredita que ler o jornal faz parte de quem ele é. Mas o que aconteceria se amanhã o homem acordasse e fosse correr no parque? ele obviamente não viraria outra pessoa, ainda seria o mesmo homem. Da mesma forma, criamos o hábito de nos perdermos em pensamento.

Faça o seguinte: da próxima vez que estiver se deslocando para algum lugar comece a observar as coisas que você pensa. Observe o quão repetitivo e exaustivo é o pensamento. Talvez você pense em algo que tem que fazer quando chegar em casa e depois de algo errado que fez no trabalho ontem. Depois você vai pensar novamente nessa coisa que tem que fazer assim que chegar em casa, então vai lembrar de algo de errado que fez semana passada. Daí vai pensar em como está se sentindo desconfortável e como vai ser bom chegar onde quer chegar. Logo vai começar a pensar de novo que não pode esquecer de fazer aquela coisa no momento que chegar em casa. E vai lembrar de algo errado que fez em 2003.

Da mesma forma que seria excruciante ver o seu dia em uma tela, seria extremamente monótono ouvir tudo que você pensa lido em voz alta. A pura repetição já o faria ficar entediado, mas mais que isso, o discurso, além de não interessante, é ruim. Quantos dos seus pensamentos lhe fazem sentir mal? mas esse que está lhe chamando de burro porque esqueceu da carteira em casa, esse é você não é? e não há como fugir de si mesmo.

Esse não é você.

Mas esse discurso interno é feito a tanto tempo que se torna um hábito. Tanto que é difícil de imaginar que essa voz que está na sua cabeça não é você. Que é um hábito. E que pode ser reduzida. Isso é só ruído. É possível controlar mais o seu próprio pensamento.

Sentar e meditar é um hábito. Eu comecei com dez minutos por dia e passei para quinze. Nesse tempo eu tento focar no momento, na respiração. Eu não luto com os pensamentos, eu os deixo sair como entraram. Eu não me identifico com os pensamentos. Eu não me chamo de distraído quando perco a atenção. O importante é só sentar e meditar.

Ainda é cedo para dizer, mas eu estou mais feliz. Mas você não precisa acreditar em mim. Você não precisa nem mesmo acreditar que funciona. Basta sentar e não pensar em nada. Meditação é um treino para todo o tempo em que você não está meditando. 

15 de agosto de 2013

Todos os teus gostos foram escolhidos para ti


"Eu gosto de cinema"
"Eu adoro uma cervejinha no final do expediente"
"Eu odeio meu cabelo ruim, queria tanto ter cabelo liso"
"Eu odeio Matemática!"

O que seria do azul se todo mundo gostasse só do roxo? Uns gostam de azul, outros de roxo. No final tudo é justo. Mas será que tu realmente gostas de novela? ou de refrigerante com gelo e limão?

Tudo que vemos nos influencia. O comercial de televisão, a marca de cigarros que o protagonista fuma no último filme do Almodôvar, aquela imagem engraçada que aparece no feed do Facebook.

Outras pessoas nos influenciam. Se tu não vês Zorra Total, tua tia vê. Se tu não lês a Veja, teu professor lê. Talvez se não fosse aquele comentário que tu ouviste sem querer na fila do banco, hoje tu não estarias morando onde tu moras, ou usando a roupa que estas usando.

Claro que não é tudo preto e branco, temos nossa genética, podemos dizer até que temos escolha. Mas pensa que aquilo que te é mais importante, aquilo que tu usas para te definir, pode não ser mais do que um acidente, ou pior ainda: fruto de uma trama maligna das grandes corporações. Que abusaram de seu grande capital para transformar teu ambiente: pagar o comercial de televisão, contratar formadores de opinião, patrocinar o artista. Tudo isso para te fazer gostar de Fanta uva com gelo.

Corporação maligna ou não, teus gostos foram incutidos pelos outros, seja lá quem for. Tu gostas de carro, ou daquela música das Spice Girls, ou de ir na academia, tudo porque alguém te influenciou.

Tu tens que ter faculdade, ou tu quer ter o carro, a casa, a tatuagem, a bolsa, o óculos, não por que tu precisas, ou porque isso realmente é algo que vai enriquecer a tua vida, mas simplesmente porque assim é. Ter uma casa é uma baita investimento, ter o carro vai me permitir ir onde eu quero. Eu tenho dinheiro sobrando, então posso comprar essa bolsa. Eu não sou bom desenhista, meus desenhos são horríveis. Tudo isso parece vir do fundo da tua alma, mas é simples eco da Ana Maria Braga, do Steve Jobs, do Jorge Luis Borges.

É impossível saber se gostamos realmente de alguma coisa ou se essa coisa nos foi incutida. É bom para a sociedade que tu compres teu carrinho, tuas roupas de grife, que tu te drogues, que tu engordes. Há um claro incentivo para que estes gostos estejam sendo empurrados em nossas goelas.

Não uses teus gostos como desculpa, eles não são teus.

31 de dezembro de 2012

Sonhar tem custo



Acaba o ano e o assunto preferido é o ano que vem. Quais sonhos vão virar realidade esse ano?

O sonho do Pedrinho era ser jogador de futebol. Via todas as partidas da seleção e de seu time do coração. Tinha o uniforme, as meias, as chuteiras. Sabia o nome de todos os jogadores e quantos gols fizeram no ano passado. Usava o corte de cabelo do artilheiro, quem decorava as paredes de seu quarto.

Sempre que fechava os olhos, se via em pleno Maracanã. Ouvindo os gritos da torcida, bombas e fogos. Porém, sonhos era tudo que tinha, Pedrinho não tinha movimento nas pernas, suas alucinações não passariam disso.

Quantos sonhos viram realidade? quantos sonhos fazem sentido? Sonhar tem custo sim. Cada vez que empurravam a cadeira de rodas de pedrinho, seu coração diminuía. E qual é a alternativa? Será que Pedrinho seria mais feliz se sonhasse ser analista de sistemas ou radialista?

Vivemos mais de fantasia hoje do que em qualquer outra época da civilização. Pessoas vêem mais de quatro horas de televisão por dia. E a Televisão sobrevive de publicidade. A cada trinta minutos na poltrona, uma dúzia de sonhos são "vendidos" aos nobres telespectadores. Palavra mais apropriada seria empurrados goela a baixo.

E quantos desses sonhos são possíveis? muitos sonhos são um jogo de soma zero: só pode haver um campeão de boxe na categoria peso-pena. Isso significa que centenas de jovens de nariz quebrado vão acordar todos os dias às três da manhã, treinar o dia inteiro, comer a dieta estrita dos campeões, só para verem seus sonhos estraçalhados, como seus narizes, pelas mãos do campeão. 

De novo, qual é a alternativa? se todos fossemos inteiramente racionais, teríamos um mundo de banqueiros e advogados. A realização do sonho nos traz somente o prazer momentâneo da glória. É a busca que nos motiva. Quando Pedrinho fecha os olhos, ele é mais feliz que o artilheiro. Quando o peso-pena acorda, ele tem muitos motivos para levantar da cama, nenhum nariz quebrado vai impedi-lo de pisar no ringue. Esse é o drama humano, somos providos com muita ambição e poucas oportunidades. Realizamos objetivos só para criarmos mais, cada vez mais impossíveis.

Mas o drama previsível não enche o teatro. Vamos quebrar nossos narizes em 2013!

3 de setembro de 2012

Sozinho na multidão


O mundo é do indivíduo. O triunfo máximo da iluminação é o fim do coletivo, da tribo, do grupo. Vivemos, dizem, na época mais pacífica e próspera da história da humanidade. Porém cresce um problema endêmico e silencioso. Um que não altera índices, que não passa por métricas. O mundo moderno, dos números, da ciência, não enxerga o que não é taxa, o que não cabe na célula do Excel.

O homem é cada vez mais urbano, mais apertado em apartamentos pequenos, mais amassado em transportes públicos ou preso no tráfego; cada vez mais sozinho. E não é coincidência: a solidão é propagada devido a seu subproduto: o consumismo.

O homem só só consome. Quando entre amigos, é feliz, é criativo, é ativo. Quando sozinho é reativo, é mesquinho, é egoísta. Compra porque está preso dentro de si. Passa a tarde no shopping procurando um sapato, tarde consumindo e sendo consumido. Tentando preencher o vazio da solidão.

A igreja se comercializou, o espírito fica entre a roupa nova e a nova TV. Vai para a Igreja para pedir mais dinheiro, paga o imposto para Deus. Velas para comprar. Indulgências, vagas no céu. Decalques no carro, CDs e DVDs. As religiões que se dizem contra o consumismo são as mais hipócritas: a aula de Yoga, o incenso, a calça trançada, a droga, tudo é consumo. Meditar agora é consumir.

A diversão é o consumo. Agora a diversão é na cadeira, na frente do computador, consumido mídia, adicionando fotos, colecionando "amigos", ganhando níveis, juntando itens, consultando preços.

Amanhã eu não consumo, vou sentar com meu amigo, conversar sobre conversas, sem comprar o maldito refrigerante.

23 de agosto de 2012

Não suporto mais ele! Dicas para mudar o seu namorado.


Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.
Raul Seixas
Esse blog tem "relacionamentos" no subtítulo, mas exceto raras exceções, não falei muito aqui sobre as dificuldade dos relacionamentos.

Relacionamentos não são fáceis, isso a amiga leitora já sabe. Em 2011 tivemos, no Brasil, recorde de número de divórcios. Todos já viram a transformação de jovens casais apaixonados em pessoas que já não podem nem suportar a presença um do outro. Será que todo relacionamento tende ao fim ou ao casal apenas se suportando?

Quando um relacionamento começa, não percebemos os defeitos da cara metade, ou fazemos vista grossa ou os defeitos não nos incomodam. Quanto mais íntimos ficamos, mais esperamos que a parceira aja de uma certa maneira. Alguém cobra algum tipo de comportamento (por exemplo, não deixar papeis espalhado na mesa) e então tu também começas a cobrar certas coisas (baixar a tampa da da privada). A repetição do mesmo comportamento -- na nossa cabeça a falha em mudar -- nos faz querer reclamar, corrigir, o que por sua vez leva o parceiro a se irritar pela situação.

O casal vira uma pequena sociedade, onde existe uma batalha por um conformismo não ditado por ninguém. Essa batalha nos leva a um mal-estar, trazido pelo desconforto de ter o seu comportamento (a coisa que te faz quem tu és) julgado como errado inúmeras vezes. Todo esse desconforto e brigas começa a ser tratado como uma crise na relação. O casal começa a buscar soluções, mas usando as mesmas técnicas utilizadas com relações de trabalho, ou de amigos. Começam a procurar quem é o algoz e quem é a vítima. Essa culpabilização nos faz, mesmo se acreditarmos que realmente temos coisas que precisam ser mudadas, ter uma resistência em mudar. Devido a busca irrelevante pelo "culpado", ou "justiça", ninguém muda.

Só podemos mudar a nós mesmos.
Infelizmente, não controlamos as outras pessoas. Mas controlamos a nós mesmos. Tente avaliar as críticas do parceiro, tu realmente está errado? não interessa o que ela fez que te levou a tomar as atitudes que tomaste, ou tu agiste certo ou errado. Além disso, antes de fazer qualquer crítica a tua namorada, pensa se tu faria o mesmo por ela (com algumas exceções lol); se a resposta é não, então talvez a crítica não seja construtiva.

Tenta mudar. Com certeza mudanças positivas no relacionamento vão resultar da tua mudança de comportamento, só o fato de não te fazer de vítima, já vai aliviar a situação. Isso vale para tudo na vida, se tu agires como uma vítima, vais ser sempre a vitima.

22 de agosto de 2012

A voz cruel que te impede de realizar os teus sonhos


Existe uma voz, que está dentro de todos nós. Ela está lá para desmerecer nossos pequenos sucessos, e para aumentar nossas pequenas derrotas. Uma voz que ninguém controla, que odeia mudanças, que adora planos.

Ela te manipula. No fim de semana ela te convence a começar a fazer exercícios só na segunda. Na academia ela te convence de que tu és fraco, ou gordo demais, ou não és bom nos esportes. No dia seguinte ela está lá para te dizer que tu merece um dia de descanso. No outro para dizer que tua perna ainda dói, que o melhor é esperar mais um dia. 

Ela critica tua obra, repete a opinião negativa dos outros, ignora a positiva. Ela te põe medo, te faz desistir. Ela fica do teu lado, enquanto tu crias, criticando cada detalha da tua criação. Te mandando parar, te criando distrações.

Ela te faz esperar o momento certo, a ferramenta certa, a pessoa certa. Ela te faz esperar as oportunidades ao invés de criá-las. Cada pequeno avanço no teu esforço, ela vai achar pouco, ela vai te convencer da impossibilidade dos teus sonhos.

Essa voz que Steven Pressfield chama de Resistência, os cristãos chamam de Lúcifer e eu chamo de Racionalização.

Não escutá-la é difícil. Ela é mais persistente que Sísifo, não se cala nunca, quanto mais difícil a tarefa, mais forte ela fica. Ela ganha qualquer argumento. Nem sempre fala de dentro do teu inconsciente, as vezes toma forma de crítico, as vezes de familiares e amigos: descansa um pouco, tu tens que sair mais, tu tens que vir beber conosco.

Não sei ao certo das origens dessa voz, mas ela é cruel, até mesmo as pessoas mais simpáticas do mundo dirão coisas horríveis a si mesmos: "você é um incompetente", "não fizeste nada de útil hoje", "você não serve para nada". Essas pessoas nunca diriam isso -- nem pensariam isso -- para ninguém, mas a voz é sempre cruel e mesquinha.

Se tu tens algo que queres muito fazer, e que pensas que é impossível, só há uma maneira: vencer essa maligna voz. E para vencê-la, joga o jogo dela: a persistência. Ignore-a. Comemora cada sucesso por menor que seja. Toma consciência que essa voz não é tu. Essa voz é a da derrota, da situação.
Perna doendo? dói pouco; vou correr.
Só cinco repetições? ótimo, amanhã faço seis.
Este quadro está feio? está muito melhor que os meus primeiros, o próximo vai ser ainda melhor.
Esse artigo está mal escrito? amanhã o re-escrevo.
Esforço é como juros, se compõe. Com o tempo a vozinha vai perder a força, até se perder dentre teus muito sucessos. O importante é não desistir, é depositar todo mês, comparecer.

19 de agosto de 2012

Compartilha nas redes sociais


Aqui estão dez coisas que todo empresário de sucesso faz antes de tomar café a manhã, por favor compartilhem no Facebook, Twitter e Google+. Leiam as partes em negrito. Não tudo de uma vez, claro, leiam 5 frases, chequem o Facebook, e voltem para ler o resto. Retwitem, curtam, dêem um +1. Façam um comentário de uma linha, mais superficial que o artigo.

Somos, com orgulho, superficiais, não no sentido hippie (preocupados apenas com coisas materiais), mas no sentido que não analisamos mais nada com profundidade. Eu, mesmo escrevendo sobre isso, estou com cinco abas abertas.

Empregadores hoje procuram pessoas multitarefa, isso não existe. Estudos comprovam que quando estamos fazendo várias coisas ao mesmo tempo, o cérebro fica mudando o foco rapidamente entre uma tarefa e outra. Estamos, de fato, treinando nosso cérebro para não se concentrar em nada. Multitarefa é a única coisa que quanto mais tu praticas, pior tu ficas. Não nos concentramos em nenhuma das tarefas, fazendo todas de maneira relapsa, medíocre.

Mas é justamente mediocridade o que a sociedade quer. Para atingir o maior número de pessoas o texto precisa ser curto, em listas e com várias palavras em negrito. Os blogs mais famosos hoje são os que se resumem a imagens sem graça, apelativas e vídeos violentos ou infestados de memes fracos.

A sociedade não quer qualidade ou profundidade, mas velocidade e baixo custo. O durável é caro demais, quem quer ter um sofá que dura dez anos? eu gosto de ter uma sala de estar nova por ano. Procura-se aumentar cada vez mais a produtividade, mesmo que seja para produzir somente lixo. Temos que ser acadêmicos T, polímatas, multitarefas, dinâmicos. Temos que saber usar Excel, Word, Access, PowerPoint, Dreamweaver  Photoshop, Flash, Ajax, HTML, CSS, VB, .NET, PHP, CGI, CFC, PC, PVC, PP, PET, PT, PMDB...

Para! para e pensa, tu não precisas desse novo tablet. Tu não precisas desse carro. Fecha o chrome e abre um PDF.

12 de agosto de 2012

O pássaro e o executivo



Em umas longínquas montanhas na Índia vivia um mestre budista em um grande templo. O acesso por qualquer meio de transporte humano era quase impossível. A única forma de chegar nesse templo era através de uma densa selva e uma dura escalada.

Luís Roberto era um jovem empresário, com seus apenas trinta e dois anos já era milionário e estava a frente de um grupo com mais de seis mil funcionários. Tão jovem e com tanto sucesso, não havia muito que Luís não conseguia por pura determinação. Porém, não era feliz.

Já tinha tido muito amores que não deram certo, já tinha tentado quase todas as religiões. Fora do campo profissional, considerava sua vida uma fracasso. Parecia sempre estar buscando alguma coisa, que não sabia o que era. Além de todo o sofrimento emocional, sua saúde já estava em risco devido a anos de negligência de sua parte. A vida corrida de um empresário não deixava tempo para dormir e se alimentar direito.

Foi então que um jovem, vestido com uma bata budista e chinelos, entregou a Luís Roberto um livro. Esse livro, de capa dura, com páginas amarelas e roídas, castigado pelo tempo e por traças, descrevia no primeiro capítulo tudo que o jovem empresário sofria: as insônias frequentes, o medo de se abrir com outras pessoas, a busca pelo espiritual. Aquele livro parecia ter sido escrito para ele.

O segunda capítulo do livro usava jargões budistas que Luís não entendia para explicar a solução de todos aqueles problemas. Luís passou noites e noites acordado tentando entender o capítulo dois. Procurou cada um dos termos na Internet atrás de alguma explicação: não encontrou nada.

Foi atrás de um especialista: foi em vários templos budistas espalhados pelo Brasil, ouviu falar muito sobre o budismo e seus princípios, mas nada sobre o capítulo segundo daquele livro misterioso, ninguém, nem mesmo os mestre budistas, entendiam aqueles termos ou os argumentos. Luís já estava quase desistindo quando sua esperança foi reascendida: um jovem discípulo de um templo em São Paulo lhe disse que aqueles termos pertenciam a uma corrente já quase esquecida do budismo, cujos últimos discípulos se encontravam em um templo de difícil acesso na Índia.

Luís então tomou uma decisão: precisava entender aquilo, com a mesma determinação que usou para chegar ao primeiro milhão, chegaria também à felicidade. Sob o risco de perder todo o sucesso material que tinha alcançado até ali, partiu no dia seguinte para as ditas montanhas: descobriria a solução para suas angústias ou morreria tentando. Encontrou, em nova Déli, dois guias que conheciam a área em torno do templo. Foi avisado por todos que muitos morreram tentando lá chegar, que o caminho era cheio de perigos. O jovem milionário não chegara tão longe para desistir.

Depois de seis dias de caminhada pela selva, finalmente chegaram ao pé da montanha, a partir dali seriam dois dias de escalada (havia um pequeno vale onde poderiam acampar mais ou menos a três quartos do caminho). A escalada foi dura, especialmente para Luís Roberto, que não era um grande esportista. No caminho para cima, os viajantes viam cordas rompidas e marcas de unhas que indicavam os fracassos passados, cada uma dessas evidências de perigo deixavam Luís ainda mais determinado.

Finalmente chegou no templo, não acreditava na beleza daquela construção intocada pelos séculos. Tinha um estilo que nunca tinha visto, mas que lembrava os templos zen japoneses. A cada três metros nas paredes havia uma figura monstruosa revestida a ouro. As paredes, sem nenhum defeito, eram pintadas com preto e dourado. O jardim era incrível, cada milímetro parecia ter sido planejado. Como tinha sido construído era um mistério: quem teria levado todo aquele ouro e tijolos? Foi recebido por dois jovens discípulos que vestiam roupas idênticas às do rapaz que lhe entregou o fatídico livro: Luís sentia a mesma excitação que sentiu ao vender a sua primeira empresa. 

Foi levado até o mestre.

Subindo uma escada que não parecia ter fim, dentro de uma pequena construção, atrás de duas estátuas aterrorizantes de leões, estava o mestre. Luís nunca tinha visto alguém tão velho, era difícil determinar a sua idade, devido a penumbra e o fato que o idoso raramente se movia. Mas sua voz entregava o castigo dos anos, disse:

- Eu sei porque tu estás aqui, todos vêm pelo mesmo motivo -- demorou cerca de trinta segundos para terminar essa frase, aparentemente já não falava há dias.

- Então -- respondeu rapidamente o jovem empresário -- me explique, mestre, o capítulo dois.

Até que o mestre respondesse, passaram-se três minutos. Esse tempo pareceu dois anos para Luís, toda aquela espera e dificuldade, que somavam-se aos anos de angústias pessoais, faziam sua mente correr a dez mil quilômetros por hora. Tudo parecia se misturar em seu cérebro, seu coração batia acelerado. Toda aquela adrenalina lhe deixava tonto. Seu coração quase parou quando o mestre começou novamente a falar:

- O homem é o único ser dessa terra que tem a capacidade de alcançar a iluminação. Mas nem todo homem nasce igual. Tu estás acostumado a ter tudo que desejas, mas não te satisfazes. O motivo é que desejas a coisa errada. Não é na riqueza e no poder, nem no amor de mulheres, nem na admiração e inveja de homens, que está a tua satisfação: ela só vai ser alcançada no momento em que descobrires o Sentido da Vida.

- O Sentido da Vida? -- respondeu, incrédulo -- então o mestre sabe o Sentido da Vida?

- Faze o seguinte: vai e encontra a ave azul de patas roxas que fala a língua dos homens, entenderás então o Sentido da Vida.

- Como assim? uma ave azul de patas roxas? o que isso tem a ver com o sentido da vida? é um papagaio? eu não entendo, por favor me explique!

O mestre não disse mas nenhuma palavra. Luís ficou doze horas tentando fazer o mestre explicar melhor o que aquilo significava. Mas o mestre permanecia imóvel, o único movimento que fazia era piscar, apenas uma vez a cada vinte minutos.


Luís saiu de lá desconsolado. Como uma pássaro iria fazê-lo descobrir o Sentido da Vida? Talvez tantos anos em um templo longínquo teriam levado aquele velho à loucura. No entanto Luís Roberto não chegou tão longe para nada, ele não era do tipo que desistia na primeira adversidade. Iria encontrar aquele pássaro ou morrer tentando.

Passou os próximos cinco anos procurando a bendita ave, andou pelos quatro cantos do mundo. Uma pista falsa levava a o outra pista falsa, que levava a um beco sem saída. Buscava cegamente, sem pensar em nada além de seu objetivo. Não perdia um só minuto e não se dava luxo de indulgências. Sua vida era só procurar, procurar, procurar. E enquanto buscava, suas empresas, sem seu comando, foram falindo, uma a uma, até que nada restou de sua fortuna, legado e fama.

Derrotado, Luís Roberto voltou ao templo. Iria implorar ao mestre pela resposta. Se não a conseguisse, se jogaria do alto da montanha, nada mais importava para ele, todos os seus bens e conquistas tinha desaparecido. Enquanto escalava a montanha, desta vez sem a ajude de guias, se sentia estranhamento calmo. Teria se resignado a seu destino? talvez os fracassados sejam livres, livres de responsabilidades, de expectativas. Ainda assim algo lhe roía por dentro: não achara o pássaro, nem o Sentido da vida.

Ao chegar ao topo do templo, não pode nem falar antes de ser interrompido pelo mestre:

- Então jovem que tem tudo que deseja, encontraste o pássaro?

- Não, usei todos os recursos e forças que tinha, mas não encontrei -- dizendo isso, Luís se ajoelhou, e continuou -- por favor mestre, preciso saber, perdi cinco anos da minha vida, só procurei, procurei e procurei. Mas não achei nada.

- Passaste anos procurando o pássaro de penas azuis e patas roxas, se tivesses o encontrado, terias descoberto o sentido da vida. Porém o pássaro não existe.

Nesse momento, Luís Roberto descobriu toda a verdade: o mestre era um pau no cu.

17 de dezembro de 2011

O declínio da civilização ocidental

Nos dias de hoje, as pessoas se perguntam frequentemente do porquê das coisas serem como elas são. Mas é necessário que as coisas sejam assim? ou é possível que elas sejam diferentes?

Desde os primórdios da civilização ocidental, o homem tenta entender o mundo que o cerca. Porém, a impossibilidade do completo entendimento do funcionamento das engrenagens universais os faz criar explicações super-racionais, que não possuem base na realidade observada, mas sim no subproduto do raciocínio adquirido no processo de acumulação de conhecimento.

Com o passar das eras, essa "super-explicação" acaba se cristalizando, sendo assim aceita como explicação. Enraizada no zeitgeist, toma anos para desvanecer. Se desvanecer.
"Não é aquilo que não sabemos que nos traz problemas, é aquilo que achamos que sabemos, mas está errado." (tradução livre) Mark Twain
Que tipo de problemas uma informação inexata pode trazer para nossa vida? imagina que tu tomas todos os dias o mesmo caminho para o trabalho, demorando trinta minutos até o escritório. Agora, suponhas que existe um caminho que demora apenas quinze minutos e que tu não conheces. Irás seguir toda tua vida pensando que o caminho que tomas é o mais curto, quando não é. Em dez anos isso soma um mês. Agora imagina quantas decisões sub-ótimas tu tomas todos os dias. Possivelmente estás perdendo um ano em cada dez, apenas por falta de informação.

Como separar o joio do trigo? como identificar o que está errado? A impossibilidade do conhecimento total das coisas, não impede que possamos heurística ou holisticamente avaliar a verossimilhança das proposições que formam nosso modelo de realidade.

Existem diversas maneiras de fazer essas avaliações. O processo funciona como um jogo de dominós, depois que a primeira mentira cai por terra, outras revelam-se exponencialmente. Escreverei mais sobre o assunto no futuro, mas pelo momento, eis algumas ações simples que podes tomar para que fiques mais atento ao mundo que te cerca:
  1. Lê mais. Não jornais, mas livros ou blogs. Mesmo que haja muita besteira sendo dita, quanto maior a quantidade de conhecimento que possuas, mais capaz serás de enxergar através das mentiras da mídia e do status quo;
  2. Não leias ou discutas apenas com gente que tem o mesmo ponto de vista que tu. O cérebro humano tende a favorecer informações que condizem com sua visão do mundo (tendência de confirmação);
  3. Sempre avalia as coisas de uma perspectiva externa. Imagina que és um extra terrestre e que chegaste na Terra hoje. Como, sem o devido contexto, avaliarias como as coisas são feitas?
  4. Duvida de quem fala com interesses. A opinião de um político sobre democracia, por exemplo, tem menos valor do que a opinião de um acadêmico. (no entanto, não deve ser descartada)

links interessantes:

10 de setembro de 2011

Bundãozinho


Esse artigo é dedicado aos homens, mas é informativo às mulheres também

A bundãozice não é natural. Um bundão não nasceu bundão. Ele assim se tornou. O processo de bundalização é lento, porém natural. Sempre imperceptível e mortal. A bundãozice pode levar a morte ou pior: ao casamento.

O bundão não se vê bundão. Sua bundãozice é marginal a sua percepção de personalidade. Assim como todo cínico já foi um idealista, todo bundão já foi um cara decidido. São muitos os fatores que bundalizam o homem. Um mãe controladora, uma mulher com personalidade forte, um patrão chato. O espírito decidido é destruído a miúde, sem se ver. Cada "sim querida, não faço mais", cada resignação muda, cada desejo não justificado atendido é uma punhalada nas costas da liberdade do seu espírito.

O que é um bundão?
Bundão é homem resignado, cheio de medo, se é que podemos chamá-lo homem.. Tem medo de seus próprios desejos. Apagado, não tem consciência de si mesmo. Tem o espírito morto-vivo, que vive no limbo da escravidão.


Como não ser um bundão?
Apesar das mulheres estarem sempre, inconscientemente, tentando transformar os homens em bundões, elas não querem um bundão, elas querem um homem. Sê homem, não há nada de errado com isso. Nossa sociedade criminaliza os valores masculinos: a competitividade, a violência, a assertividade. Não há nada de errado com o comportamento do homem. Características masculinas (assim como femininas) são essenciais ao desenvolvimento da sociedade humana. Não aceite ameaças, nem comportamento passivo agressivo e principalmente não ajas de maneira passivo agressiva. Não aceitas pedidos não razoáveis, nada que tu não farias. Não te sintas culpado, homens e mulheres possuem papéis diferentes na sociedade; e viu Deus que isso era bom.

1 de setembro de 2011

Acúmulo de capital


No vídeo acima Steve Jobs, ex-CEO da apple, fala sobre sua estratégia para tomar decisões. Todo dia ao levantar-se, afirma, Jobs olha no espelho e se pergunta: "Se hoje fosse o último dia de minha vida, eu faria o que eu estou planejando fazer hoje?".
  1. Sobre os bens materiais
    A regra de Jobs me levou a refletir não sobre o que fazemos com nossas vidas, mas sobre posses. Há cerca de dois anos eu descobri que viria para Europa. Ganhei uma bolsa de estudos do governo brasileiro. Viajaria em seis meses para o velho continente podendo levar apenas duas malas e uma mochila.

    Instantaneamente, bens materiais passaram a ter outro significado em minha vida. Cada vez que pensava em comprar algo -- mesmo que fosse uma lapiseira -- eu refletia sobre o valor daquele objeto para mim e se eu iria levá-lo comigo para a Europa. Comprava menos e mais racionalmente.

    Igualmente aqui na França, continuo pensando da mesma forma. Porém, todos nós temos nossos momentos impulsivos. Por isso te aconselho, querida leitora, de utilizar uma pequena modificação da pergunta de Jobs na hora de decidir a essencialidade de algo que pensas comprar: "Se eu fosse fazer uma longa viagem amanhã com só uma mala, eu levaria isso que eu estou prestes a comprar?".

    Mesmo se não planejas viajar em um futuro próximo, essa é uma ótima regra da mão direita para decidir o que adicionará valor em tua vida. A vida, podemos dizer, é uma viagem. Estamos aqui, como lembrou Jobs, de maneira temporária. Nós nos apegamos aos bens materiais porque esses nos dão a ilusão de imortalidade, de segurança. Esquece essa ideia de segurança, vive como se a terra fosse explodir amanhã e tu fosses ser enviado em uma pequena nave para um planeta distante.

  2. Objetos e lembranças
    Seguido sempre de um momento feliz em minha vida, vem o medo de esquecê-lo. Quero que aquela felicidade que passou fique guardada dentro de mim e que possa acessá-la sempre que quiser; que aquele sentimento nunca se apague. Por esse motivo, e talvez por alguma predisposição genética, sempre tive a mania de guardar coisas, de guardar mementos na esperança de nunca esquecer de certos momentos.

    A memória, em especial a minha, não é, porém, misericordiosa. Com seu terrível bisturi ela destrói velhas memórias para dar lugar a novas. Momentos maravilhosos que pensávamos que nunca esqueceríamos, desaparecem como a memória de ter fechado a porta a chave hoje de manhã.

    Temos que aceitar a transitoriedade da vida. Momentos bons passam e se apagam, mas dão lugar a outros ainda melhores (ou não).
     
  3. Transtorno Obsessivo-Compulsivo
    Guardar coisas pode ser uma doença. TOC é um transtorno de ansiedade. Dentre as possíveis obsessões a de "armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar" figura como uma das mais comuns. Cuidado. Se na tua casa tem menos espaço para andar do que coisas, ou se tua casa cheira a mofo, então tu podes ter um problema psicológico. Procura um profissional.

  4.  Desprendimento
    A vida é mais curta do que imaginamos. Todos os bens materiais um dia desaparecem (talvez o plástico não...). Assim como nossos corpos vão desaparecer. Guardar velhas cartas, milhões de fotos em um HD, bilhetes de cinema, etc, posto que essencial a curto prazo, as vezes nos impede de avançar em direção a novas experiências. O desprendimento, portanto, é um dos caminhos para a felicidade.
links interessantes: